“Na essência, somos iguais e, nas diferenças, respeitamos-nos”- Stella Maris Marques, Conselheira da Abrint.
Por décadas, o setor de telecomunicações tem sido um dos mais dinâmicos e vitais na transformação digital, conectando pessoas e impulsionando a inovação. Nesse cenário, a liderança feminina se destaca como um elemento crucial para a construção de um setor diverso, resiliente e inovador. No entanto, como em muitas indústrias tecnológicas, as mulheres enfrentam barreiras significativas ao ascenderem a cargos de liderança. Este artigo explora a importância da liderança feminina na telecomunicação, bem como os desafios a serem enfrentados para que haja maior equidade no setor.
Uma pesquisa recente da FIA Business School analisou respostas de grandes empresas brasileiras premiadas com o selo Lugares Incríveis para Trabalhar. O estudo revelou que, em 2023, as mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança, mantendo a proporção do ano anterior. Esse percentual representa um avanço significativo em relação a 2019, quando a participação feminina nesses cargos era de apenas 25%. “Chegar a quase 40% demonstra progresso, mas ainda há desafios importantes pela frente”, destaca Lina Nakata, professora da instituição e uma das responsáveis pelo levantamento, em entrevista à revista Forbes[1].
A Importância da Liderança Feminina na Telecomunicação
A presença de mulheres em posições de liderança traz uma série de benefícios para as empresas e para o setor como um todo. Estudos demonstram que organizações lideradas por mulheres têm maior capacidade de inovação, equilíbrio nas decisões e sustentabilidade a longo prazo. No setor de telecomunicações, onde a criatividade é essencial para acompanhar as constantes mudanças tecnológicas, a diversidade na liderança impulsiona estratégias mais robustas e eficazes.
A presença de mulheres em posições-chave contribui para a criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo e representativo. Essa diversidade inspira novas gerações de profissionais a enxergarem o setor como um espaço aberto para todos, independentemente do gênero. Dessa forma, promove-se um ciclo virtuoso que amplia o alcance do talento humano disponível.
Desafios Persistentes
Apesar dos avanços, desafios significativos ainda impedem a plena equidade de gênero no setor. Um dos principais obstáculos é o preconceito estrutural, que frequentemente subestima a capacidade das mulheres para assumir cargos de alto nível. Algumas funções são erroneamente rotuladas como “mais adequadas para mulheres”, enquanto cargos estratégicos e de liderança continuam sendo predominantemente masculinos.
Outro entrave é a desigualdade salarial. Mulheres em posições equivalentes ainda recebem, em média, salários inferiores aos de seus colegas homens. Essa diferença é agravada pela dificuldade de conciliar as exigências profissionais com as responsabilidades domésticas, uma vez que a carga do trabalho não remunerado ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres.
Um fator adicional é a autossabotagem. Algumas líderes, na busca pela excelência, acabam assumindo mais responsabilidades do que deveriam, ao invés de delegar tarefas. Esse excesso de cobrança pode levar a um sentimento de sobrecarga e insegurança quanto à própria competência.
Caminhos para a Mudança e Incentivos
O setor de telecomunicações, com sua constante busca por inovação, tem uma oportunidade única de liderar mudanças estruturais para promover maior equidade de gênero. Algumas ações importantes incluem:
- Programas de Mentoria e Capacitação: Incentivar o desenvolvimento profissional de mulheres por meio de treinamentos e mentorias focados em habilidades técnicas e de liderança.
- Políticas de Diversidade: Implementar iniciativas que assegurem a contratação, retenção e promoção de mulheres e meninas jovens aprendiz, em todos os níveis hierárquicos.
- Reconhecimento e Premiação: Dar visibilidade às conquistas de líderes femininas por meio de prêmios, eventos e publicações, como exemplo o selo de igualdade de gênero do PNUD, dentro do Programa das Nações Unidas para desenvolvimento.
No setor de telecomunicação, diversos provedores de pequeno porte, associados à Abrint, estão alinhados aos princípios do Pacto Global da ONU. Dentre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), o ODS 5 promove a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas no mercado de trabalho, contribuindo para um setor mais justo e equilibrado.
Conclusão
A liderança feminina na telecomunicação não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma estratégia essencial para o desenvolvimento do setor. Ao reconhecer a importância das mulheres e enfrentar os desafios estruturais, é possível construir um futuro mais inovador, inclusivo e sustentável. Como mensagem final, Stella Maris Marques destaca: “Não se cansem de lutar por voz e vez. Este direito é legítimo e cabe a cada mulher que se propõe a atuar no mercado de telecomunicações, fazendo a diferença para toda a sociedade”.
[1] FORBES, 2024. Disponível em: https://forbes.com.br/forbesmulher/2024/03/mulheres-ocupam-38-dos-cargos-de-lideranca-no-brasil-e-sao-mais-bem-avaliadas-pelo-time



