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IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO FINANCEIRO DO TI PARA ISPs

Certa vez, um proprietário de provedor, estava reunido com sua equipe comercial bolando as estratégias de marketing para atrair clientes de um novo bairro da cidade, analisaram a área de cobertura, a quantidade de residências e as vendas iniciais e definiram a capacidade da rede e planos de entrada. Enquanto conversavam ouviram alguém bater na porta, era o responsável do TI. Após pedir um minuto e entrar na sala, este se direciona ao líder e fala: “Acabei de sair do departamento financeiro, a licença anual do nosso sistema vence em dois dias e fui informado que não estavam prevendo este pagamento”.

Esta é uma triste e comum realidade.

 

O TI é uma peça fundamental para aumentar sua competitividade, investimentos em novas tecnologias, cibersegurança, infraestrutura e inovação permitem sua relevância no mercado. Estudos da Gartner apontam que em média 77% das empresas com maturidade financeira trabalham constantemente para redução dos custos e eliminam desperdícios.

 

Esta matéria será um guia com dicas para implementação de uma gestão financeira para o seu provedor.

  1. Tipos de planejamento financeiro: tradicional vs. base zero

 

Dois métodos de orçamento que podemos aplicar ao planejamento financeiro do TI

 

Orçamento Tradicional e o Orçamento Base Zero (OBZ). Ambos têm suas vantagens e desvantagens, e a escolha entre eles depende do momento e das suas necessidades. Eu, particularmente já trabalhei com os dois métodos. O tradicional quando já tínhamos um planejamento de TI solidificado e o base zero quando estávamos em um momento de reestruturação. Abaixo explicarei as principais diferenças.

 

Orçamento Tradicional:

Parte do princípio que já existe um planejamento anterior e que servirá de base para o novo planejamento. É o planejamento mais rápido, precisa de ajustes de custos e prioridades para refletir as mudanças necessárias. Por outro lado, custos e contratos ineficientes podem ser propagados para o novo planejamento sem qualquer questionamento.

 

Orçamento Base Zero (OBZ):

O orçamento é construído a partir do zero a cada novo ciclo, ou seja, todos os gastos precisam ser justificados com base nas necessidades atuais. O benefício relacionado ao orçamento OBZ é a obrigatoriedade de reavaliação, o que possibilita uma redução de custos significativos, mitiga a possibilidade de propagação de serviços ou contratos ineficientes e possibilita uma visão nova de planejamento a cada ciclo. No entanto, necessita de maior esforço e tempo para ser criado.

 

  1. O que devemos avaliar no planejamento financeiro?

 

Um bom planejamento financeiro de TI não pode ser feito sem uma análise detalhada das necessidades de cada área. Entre os principais pontos a serem avaliados estão:

 

Infraestrutura: O estado atual dos servidores, redes e data centers. Avaliar se haverá necessidade de substituição de hardware, expansão de capacidade ou migração para soluções de cloud computing.

 

Licenciamento de Software: Estimar os custos de licenciamento de softwares essenciais, além de prever a necessidade de atualizações ou aquisições de novas soluções. Avaliar a existência de sistemas ou softwares que realizam a mesma atividade ou que proporcionam o mesmo resultado, assim a unificação ou cancelamento de uma das ferramentas é algo viável.

 

Segurança da Informação: A crescente onda de ataques cibernéticos exige investimentos contínuos em segurança. A criação de políticas de segurança e atualização de versões de sistemas operacionais, sistemas, equipamentos e softwares é algo imprescindível.

 

Aumento de pessoas: Avaliar a possibilidade de aumento no quadro de funcionários, a avaliação deve incluir todas as áreas, incluindo terceirizados.

 

Capacitação e Treinamento: O ritmo de inovação no TI exige que a equipe esteja constantemente atualizada. O orçamento precisa prever treinamentos, certificações e cursos.

 

  1. Use 4 Estratégias para redução de custos

 

Uma das metas principais de qualquer planejamento financeiro é a redução de custos. Abaixo relaciono algumas destas estratégias.

 

Computação em Nuvem: A computação em nuvem é contratada sob demanda. Como se trata de um serviço que possui flexibilidade e escalabilidade, pagamos somente pelo que utilizamos e não por uma infraestrutura para durar vários anos.

 

Renegociação de Contratos: Revisar contratos de licenciamento de software e serviços terceirizados pode gerar grandes economias.

 

Avalie todos os seus canais de atendimento, verifique a possibilidade de unificá-los. Analise a existência de sistemas similares que realizam a mesma atividade. Escolha o melhor custo-benefício e mantenha somente um deles.

 

Automação de Processos: A automação pode substituir atividades manuais e repetitivas. Soluções de RPA (Automação Robótica de Processos). Esta é uma das principais estratégias para redução de custos operacionais.

 

Otimização do Licenciamento e uso de equipamentos:

Analisar o uso real de licenças de softwares para garantir que a empresa não esteja pagando por licenças subutilizadas. Às vezes, é adquirido mais licenças do que é realmente necessário. Reavalie a utilização de todos os softwares utilizados, nem todos os usuários precisam usar versões completas e mais caras.

 

  1. Trate o Planejamento Financeiro como um Projeto

 

Uma forma interessante de realizar o planejamento financeiro é tratá-lo como um projeto, com metodologia e cronograma definido. Organizando como projeto, você terá maior alcance dos objetivos finais, conseguirá distribuir as atividades com a equipe e o resultado fica mais assertivo.

 

FASE 1:  Planejamento e Preparação da Documentação

 

  • Prepare uma política de licenciamento e uso de equipamentos, isso será a base para ajuste e alinhamento das demandas;
  • Crie um formulário de solicitação de necessidades de cada setor, esta atividade é importante para que todos participem do planejamento e iniba a possibilidade de que custos não dimensionados apareçam no decorrer do ano.

 

 

 

FASE 2:  Coleta de Dados do TI  

 

Infraestrutura de TI

  • Servidores e Data Centers: Manutenção de hardware e atualização de servidores, contratos de hospedagem e colocation, licenciamento de softwares, contratos de garantia.
  • Redes e Conectividade: Custos com banda larga, internet e redes locais (LAN), investimentos em segurança de rede (firewalls, VPNs, etc.), equipamentos de rede (roteadores, switches, pontos de acesso).
  • Cloud Computing: Serviços de computação em nuvem e licenciamento e armazenamento de dados.

 

Gestão de Equipamentos e Dispositivos

  • Aparelhos: Aquisição e renovação de notebooks, desktops, smartphones e tablets. Tenha uma Política de substituição de equipamentos.
  • Manutenção e Suporte: Contratos de manutenção de equipamentos, suporte técnico.

 

Softwares e Licenças

  • Licenciamento de Softwares: Custos com sistemas operacionais, ferramentas de produtividade, Ferramentas específicas de desenvolvimento e automação.
  • Sistemas Empresariais: ERP, CRM, gerenciamento de tickets e sistemas críticos.

 

Segurança da Informação

  • Ferramentas de Segurança: Firewalls, criptografia, backup, antivírus, 2FA (autenticação multifator).
  • Compliance e LGPD: Custos de auditoria e consultoria para garantir conformidade com LGPD.

 

Projetos e Inovações

  • Desenvolvimento de Projetos Internos: Implementação de novos sistemas e automações. Integrações de sistemas e melhorias.
  • Inovações Tecnológicas: Pesquisa e desenvolvimento em IA, automação, IoT.
  • Capacitação e Treinamento: Investimento em cursos e certificações para a equipe de TI.

 

Contratos e Serviços Terceirizados

  • Fornecedores de Serviços de TI: Contratos com fornecedores externos para suporte e manutenção.
  • Consultorias e Auditorias: Custos com consultorias e auditorias externas.

 

Despesas Operacionais

  • Custos com Energia e Telecomunicações: Energia elétrica para servidores e equipamentos. Telefonia e ferramentas de comunicação interna (Zoom, Google Meet, Microsoft Teams).

 

FASE 3:  Análise dos Contratos Existentes:

 

Para cada contrato gerenciado pelo departamento de TI, crie uma planilha detalhada dos contratos com as informações:

 

  • Data de início e Renovação dos Contratos: Listar a data de início e renovação dos contratos.

 

  • Data de Pagamento: Defina pelo menos 3 datas para que os pagamentos sejam efetuados, defina uma política de pagamentos e ajuste as datas com todos os fornecedores.

 

  • Multas: Detalhar as penalidades contratuais por atrasos ou quebra de contrato, evite custos adicionais.

 

  • Índices de Renovação dos Contratos: Todos os contratos possuem índices de reajustes como: IPCA, IGPM, INPC e Moeda Estrangeira. Esses índices devem ser revisados para provisionar reajustes em contratos.

 

  • Centros de Custos: Ajuste os centros de custo conforme a necessidade da sua empresa. Cada despesa de TI será vinculada a um centro de custo específico, garantindo que os recursos sejam atribuídos corretamente e que os gastos possam ser analisados por departamento.

 

  • Prioridade: Categorizar as despesas por prioridade. Dar foco no que é prioritário e reavaliar a necessidade das despesas que possuem prioridade menor.

 

  • Capex e Opex: Capex (Capital Expenditure) são gastos de capital, feitos em ativos físicos como compra de servidores e equipamentos, enquanto Opex (Operational Expenditure) são despesas operacionais recorrentes, como manutenção, licenciamento de software e pagamento de serviços em nuvem.

 

Fase 4: Avaliação e Consolidação dos Dados

 

Avalie todas as solicitações recebidas e verifique as prioridades e o impacto no orçamento, consolide os dados e compare a viabilidade financeira. Neste momento faça uma revisão com todos envolvidos para definição do que permanecerá no planejamento ou será descontinuado/cancelado.

 

Fase 5: Elaboração do Planejamento Financeiro Final

 

Crie um documento com todas as informações consolidadas, revisado pelos líderes das outras áreas e apresente o planejamento final para alta gestão.

 

Ao final do planejamento, faça uma análise com as lições aprendidas para identificar o que funcionou bem ou teve falhas, isso é fundamental para realizar um processo de melhoria contínua para os próximos planejamentos.

Resumo final  

 

O planejamento financeiro no TI não é apenas uma questão de custos, é uma estratégia fundamental para alinhar a tecnologia aos objetivos do negócio, garantir eficiência, inovação, previsibilidade e competitividade.  Espero que este artigo possa ajudar na eficiência financeira do seu provedor.

 

Gustavo Leão

Ispmais

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