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Postes, 6 GHz e financiamento: o que está em jogo para os provedores em 2026

A Abrint apresenta sua Agenda Institucional 2026 em um momento decisivo para o futuro dos provedores regionais. Responsáveis por 63,8% dos acessos de banda larga fixa no país, os ISPs buscam enfrentar gargalos históricos que ainda travam investimentos e limitam a expansão da conectividade com qualidade no Brasil. O documento foi lançado em 14 de abril, na Câmara dos Deputados, em evento que contou com a presença do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, além de outras autoridades, e organiza essas demandas em quatro eixos centrais: infraestrutura, ambiente de negócios, uso do espectro e governança regulatória.

 

Com a Agenda 2026, a entidade sinaliza que o papel do Congresso e dos reguladores será determinante para definir o ritmo de investimentos do setor nos próximos anos. Para os provedores regionais, que hoje sustentam a capilaridade da internet no país, o desafio é transformar avanços regulatórios em condições reais de crescimento em um ambiente mais previsível e competitivo.

 

“O parlamento tem, neste ano, um grande papel na definição da capacidade de investimento do setor nos próximos anos para que se tenha um ambiente regulatório mais previsível, com segurança jurídica e tratamento isonômico entre os diferentes agentes do mercado de telecomunicações”, explica Breno Vale, presidente da Abrint. 

 

Entre os temas mais sensíveis está o compartilhamento de postes, debatido há mais de uma década e que avançou recentemente no Congresso. A aprovação de proposta na CCJ reacendeu expectativas de uma solução para o passivo de milhões de ocupações irregulares. O novo modelo em discussão define maior protagonismo das distribuidoras de energia na gestão da infraestrutura e prevê regras de acesso e precificação, além de mecanismos de transição para reorganizar o setor. Ainda assim, entidades como a Abrint defendem ajustes que garantam preços orientados a custos, isonomia entre agentes e segurança jurídica para sustentar novos investimentos.

 

No campo do espectro, a disputa pela faixa de 6 GHz segue como prioridade estratégica. Com cerca de 90% dos usuários de banda larga fixa acessando a internet via Wi-Fi, a entidade reforça a necessidade de ampliar o uso da faixa para garantir maior capacidade, menor latência e melhor experiência ao usuário final. O tema ganhou novo impulso em 2026, com testes de Wi-Fi outdoor e articulações internacionais da Abrint para viabilizar o uso mais amplo da frequência, incluindo soluções técnicas como coordenação automática de frequências.

 

Em relação ao acesso ao crédito, apesar dos avanços recentes, como a ampliação do uso de recursos do Fust e a tramitação de projetos que incentivam os provedores regionais, a Abrint avalia que ainda há barreiras relevantes no acesso às linhas de financiamento, especialmente para pequenas e médias empresas. A entidade defende que os recursos sejam direcionados não apenas à expansão de redes, mas também à diversificação de serviços, como data centers regionais e operações móveis virtuais, fortalecendo a sustentabilidade dos provedores.

 

A agenda também destaca a importância da descentralização da infraestrutura digital, com incentivo à expansão de data centers e pontos de troca de tráfego fora dos grandes centros, além de alertar para desafios como aumento de custos, combate à informalidade e crescimento das ameaças cibernéticas. 

 

“A descentralização da infraestrutura digital é essencial para garantir um ecossistema mais resiliente e inclusivo. Precisamos avançar para além do acesso, com políticas públicas que assegurem qualidade, segurança e sustentabilidade para os provedores regionais, que hoje são protagonistas da conectividade no país”, afirma Breno Vale, presidente da Abrint.

ABRINT

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