O empreendedorismo ocupa uma posição estratégica na economia brasileira e segue em trajetória de expansão contínua. Micro e pequenas empresas respondem pela maior parte dos empregos formalizados no país, demonstrando que o fortalecimento da indústria e a geração de renda passam diretamente pela iniciativa de milhões de empreendedores brasileiros.
Nesse contexto, o empreendedorismo feminino encontra destaque como uma ferramenta essencial para promover a igualdade de gênero em um país ainda marcado por desigualdades sociais e econômicas. Até o final de 2024, o Brasil registrava 21,7 milhões de empresas ativas, das quais 12,1 milhões são classificadas como Microempreendedores Individuais (MEI).
Segundo a PNAD Contínua (2021), 34% dos homens economicamente ativos atuam como empreendedores por conta própria, enquanto entre as mulheres esse percentual é de 23%. Embora a participação feminina em atividades autônomas seja menor, seus negócios demonstram capacidade de geração de empregos equivalente à dos empreendedores homens.
Apesar disso, persistem barreiras que continuam limitando o avanço desse segmento, como a desigualdade salarial, que faz com que mulheres empreendedoras recebam, em média, 20% a menos por mês. Outro desafio é a dupla jornada de trabalho, resultado da sobrecarga de responsabilidades com cuidados familiares e tarefas domésticas, que ainda recaem majoritariamente sobre o público feminino. A PNAD (2021) aponta que elas dedicam 17% menos tempo ao próprio negócio em comparação aos homens.
O ambiente digital, por outro lado, confirmou ser um vetor de oportunidade para reduzir parte dessas desigualdades. Um estudo da NuvemShop mostra que 60% das mais de 75 mil lojas virtuais analisadas são administradas por mulheres, muitas das quais iniciam sua atuação no digital antes de estruturar um espaço físico. A digitalização ampliou autonomia, flexibilidade e alcance de mercado, elementos fundamentais para empreendedoras que enfrentam limitações de tempo impostas pela dupla jornada.
Ainda assim, as desigualdades estruturais também se refletem nesse contexto. De acordo com a PNAD (2022), 6,4 milhões de domicílios brasileiros ainda não acessam a internet, e apenas 11% das famílias de classes mais baixas possuem conexão plena, o que restringe o potencial de crescimento de iniciativas lideradas por mulheres em regiões vulneráveis.
Apesar dos desafios, os resultados mostram uma presença feminina crescente e de destaque. Segundo estudo da Data Nubank em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Sebrae, 75% do faturamento do e-commerce é proveniente de lojas administradas por mulheres, enquanto apenas 15% são de negócios comandados por homens.
Esses números evidenciam que, mesmo diante de barreiras sociais, econômicas e tecnológicas, as mulheres têm conquistado protagonismo especialmente no ambiente digital. No programa Provedor de Valor, da Abrint, uma provedora de internet relatou sua trajetória em um setor tradicionalmente masculino, destacando os obstáculos enfrentados como mulher empreendedora e reforçando o papel transformador da conectividade em municípios de pequeno porte.
Ao garantir acesso a serviços digitais, ela contribui para ampliar horizontes, democratizar oportunidades e inspirar outras mulheres a empreender no ecossistema digital.
Abrint Mulher



