Pesquisadores japoneses anunciaram um avanço revolucionário em tecnologia de internet que redefine o que pensávamos ser possível com a fibra óptica que usamos hoje. Ainda no meio de 2024, eles alcançaram uma velocidade de 1,11 petabits por segundo (Pbps), um feito impressionante que não apenas quebrou recordes, mas também confirmou que a fibra óptica atual ainda tem um vasto potencial inexplorado.
O segredo por trás da velocidade recorde
A velocidade de 1,11 Pbps, que é aproximadamente 14 mil vezes mais rápida que a velocidade média de banda larga nos Estados Unidos, não foi alcançada com uma nova e exótica fibra óptica. Pelo contrário, a equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação (NICT) do Japão utilizou uma fibra óptica padrão, com um núcleo de 38 fibras. O verdadeiro segredo estava nas técnicas inovadoras para manipular a luz.
A principal tecnologia utilizada foi uma forma aprimorada de Multiplexação por Divisão de Comprimento de Onda (WDM), uma técnica que já usamos em telecomunicações. A WDM funciona como um arco-íris, onde cada “cor” da luz transporta um sinal de dados diferente. A equipe japonesa expandiu drasticamente o número de “cores” usadas, empregando mais de 1000 comprimentos de onda de luz, cada um transportando informações.
Além da WDM aprimorada, outras técnicas foram essenciais:
- Multiplexação Espacial: Em vez de usar um único caminho, os pesquisadores usaram um cabo com 38 núcleos, criando 38 “estradas” paralelas para a luz viajar.
- Amplificação Ótica: Para evitar a perda de sinal ao longo da fibra, foi utilizado um amplificador ótico especial que não converte o sinal de luz em elétrico, mantendo a velocidade máxima.
O futuro da Internet de alta velocidade
Este experimento mostra que a era da internet de alta velocidade está longe de acabar. O que era considerado o limite para a fibra óptica agora parece ser apenas um ponto de partida. O avanço japonês sugere que o gargalo da internet não está na infraestrutura física, mas sim em como a usamos.
Enquanto a velocidade de 1,11 Pbps foi alcançada em um ambiente de laboratório, a pesquisa abre caminho para redes de internet que podem suportar a crescente demanda por dados gerados por inteligência artificial, computação quântica, internet das coisas (IoT) e realidade virtual.
As “fórmulas” para resultados tão impressionantes se resumem a um conjunto de técnicas avançadas que otimizam o uso do espectro de luz, provando que a inovação na engenharia de telecomunicações pode prolongar a vida útil de tecnologias já existentes.
Do laboratório para sua casa: a importância do Wi-Fi
O avanço na fibra óptica é apenas o começo. A chave para que essa velocidade chegue de forma eficiente ao usuário final está em como o sinal é distribuído na última etapa, dentro de nossas casas. É aqui que o Wi-Fi desempenha um papel crucial, atuando como o principal canal para que a velocidade da fibra óptica se materialize nos nossos dispositivos.
A visão de países como os Estados Unidos e a Coreia do Sul, que destinaram a faixa de 6 GHz inteiramente para o Wi-Fi, demonstra uma compreensão clara dessa dinâmica. Ao reservar essa banda de frequência, eles permitiram que a tecnologia Wi-Fi evoluísse de forma robusta e livre de interferências, o que é essencial para distribuir de forma eficiente as velocidades ultra-altas que a fibra óptica pode oferecer.
A complementaridade entre fibra e Wi-Fi
Essa evolução mostra que a internet do futuro não será dominada apenas por conexões móveis ou por fibras ópticas isoladas, mas sim por uma simbiose entre a fibra óptica, que traz a velocidade, e o Wi-Fi, que a distribui com eficiência. Os países que não adotarem uma abordagem similar, liberando espectro para o Wi-Fi, enfrentarão um gargalo. A velocidade da fibra, mesmo que chegue em nossas casas, não poderá ser totalmente aproveitada sem uma rede local (Wi-Fi) capaz de acompanhá-la.
Portanto, a inovação em fibra óptica no Japão e a alocação de espectro para o Wi-Fi em outros países são duas faces da mesma moeda. Ambas são essenciais para que possamos desfrutar plenamente do próximo nível da evolução tecnológica e das possibilidades que ele trará.
Infográfico
Supervelocidade no Japão
Avanço Tecnológico:
Pesquisadores do NICT (Japão) atingiram 1,11 Pbps em 2024 —
≈ 14.000 vezes mais rápido que a média de banda larga dos EUA.
Usaram:
- Fibra óptica padrão (com 38 núcleos)
- Técnicas avançadas de manipulação da luz
Tecnologias-Chave:
- WDM (Multiplexação por Divisão de Comprimento de Onda):
Usaram +1000 “cores” de luz diferentes - Multiplexação Espacial:
38 caminhos paralelos de transmissão - Amplificação Óptica:
Mantém sinal de luz puro (sem conversão elétrica)
O que isso significa para o futuro?
✅ Prova de que a fibra ainda tem muito a oferecer
✅ Atende às demandas crescentes de:
- IA
- IoT
- Realidade virtual
- Computação quântica
O gargalo não está na fibra, mas em como usamos a luz.
Conclusão: Internet do Futuro = Inovação + Regulação Inteligente
Para que a internet acompanhe a evolução tecnológica:
- Aposte na inovação da fibra (como o Japão)
- Garanta Wi-Fi de alta performance (como EUA e Coreia)
Duas faces da mesma moeda para uma internet de verdade ultrarrápida.
Autor: Wardner Maia, Conselheiro da Abrint
Sobre o autor: Engenheiro eletricista modalidades eletrônica e eletrotécnica com especialização em telecomunicações. Provedor de acesso à Internet desde 1995, trabalhando com tecnologias como acesso discado, rádio e fibras ópticas. Professor de tecnologias ligadas a redes de telecomunicações voltadas a ISPs. É membro fundador da Abrint, atuando como seu primeiro Presidente.



